Sal da Terra e Luz do Mundo

Jesus estava rodeado de uma multidão. Muitos andavam atrás dele procurando milagres, alimento e um ensinamento que desse discernimento, rumo e sentido à vida. Afinal, Ele falava com uma autoridade jamais vista.

Assim, após proclamar o conhecido Sermão das Bem Aventuranças, Jesus dá uma missão àqueles que o procuravam: sejam sal da terra e luz do mundo. Não sejam insossos. Sejam o sal que dá gosto e sabor. Sejam a luz que ilumina e que clarifica. (conf. Mt 5, 13 a 16)

A Igreja entendeu nestas palavras de Jesus qual seria a missão dos cristãos. E mais, compreendeu-se que ser sal da terra e luz do mundo é a missão específica dos que vivem no mundo: os cristãos leigos e leigas, que de fato estão inseridos na sociedade, na família, na política, nas empresas, escolas, etc. Como ensina o Documento de Puebla, no nº 786, os cristãos leigos são homens do mundo no coração da Igreja e homens da Igreja no coração do mundo.”

Nem sempre é fácil ser um “cristão sal e luz” dentro de casa, junto à família. Quão difícil tem sido educar os filhos à luz da fé! Quantos filhos sentem a falta de um testemunho cristão de seus pais!  Entre irmãos, quantas desavenças. Na relação marido e mulher, na convivência com os idosos… Quanta falta de amor e de cuidado encontramos em nossas famílias. Ser sal e luz na família: que missão sublime e ao mesmo tempo desafiante!

Como temos sentido falta de “cristãos sal e luz” em meio à sociedade, especialmente nos meandros da política, na governança pública; pessoas que de fato busquem o bem comum e não apenas privilégios. Ao contrário, proliferam-se nestes meios, aqueles “lobos em pele de cordeiro” que tantos males tem gerado. Como faltam “cristãos sal e luz” em meio à sociedade!

Já pensou no bem que pode fazer um professor, um médico ou outro profissional que se propõe a ser, por meio de sua profissão “sal e luz”? Já pensou o que é você ser um “cristão sal e luz” na profissão que exerce? Há muita gente que se contenta em ser cristão dentro da Igreja, fazendo novenas, orações pessoais ou até participando em um movimento eclesial. Isso tudo é muito bom!  No entanto, o desafio mesmo, é ser “cristão ser sal e luz” onde se mora, onde se trabalha, junto às pessoas com quem convive!

A cultura do individualismo e consumismo nos tem feito esquecer nossa missão cristã, leiga, de ser sal e luz. Ser sal e luz é ser para o outro. É dar a si mesmo. É entender que o meu sentido de vida, eu encontro na medida em que a minha vida é serviço para o outro. Luz existe para ser luz, para iluminar. Sal existe para ser sal, para dar gosto e sabor. Parece obvio, mas ainda há muita gente que ainda não entende o que isso significa. Vive em função de mil coisas, menos em ser o que precisa ser: sal e luz.  Cristãos leigos: Sal da Terra e Luz do Mundo. Eis a nossa missão!

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Política à luz da Fé

Você já deve ter ouvido muitas vezes: “A religião não deve se meter na política.”  Mas será que questões tão importantes para o ser humano como fé e política não devem mesmo dialogar? Até que ponto a religião pode se inserir na política? Depende de que fé e de que política estamos falando.

Aqui não estamos falando de política partidária, mas da boa política, daquele desejo sincero de servir, do trabalho abnegado em favor do bem comum. Aliás, como disse o Papa Pio XI, frase diversas vezes repetida pelo Papa Francisco, “a política é uma das mais elevadas formas de caridade.”

A fé cristã tem muito a dizer à política, aos políticos e também aos que exercemos nossa cidadania política através do voto. A vivência religiosa é uma realidade determinante para a vida humana. Assim, todas as nossas demais realidades precisam estar permeadas pelo olhar de fé. Também a política, há de ser mergulhada nos valores decorrentes da ética cristã.

Ao escolher um governante com ideias contrárias ao que eu acredito, estaria agindo contra meus valores, contra minha fé. No mínimo estaria sendo incoerente, você não acha? Vale lembrar que a incoerência de muitos homens públicos, é também decorrente das nossas incoerências na hora do voto.

Nossa fé precisa ser usada como farol para iluminar nossas escolhas! Não é que a religião vá dizer em quem eu devo votar, ou que eu tenha que eleger este ou aquele político porque frequenta a minha igreja. Neste sentido, há um perigo recorrente entre nós: políticos que fazem da igreja um palanque de campanha, outros que usam do discurso religioso para se auto promover e garimpar votos.

Nesta hora tão imponte para o Brasil, em que vamos escolher nossos representantes, temos que buscar minunciosamente apurar as ideias, a história e a vida dos candidatos. É comum ouvirmos muitas pessoas dizerem estar desiludidas com a política. Sim.  É de desanimar mesmo! Muitas vezes tem-se a impressão que há mais ladrões em Brasília do que nos presídios. Mas quem colocou essas pessoas lá não fomos nós? Foi a nossa falta de discernimento na hora de votar.

Por isso, este tempo de campanha, reveste-se de esperança. Esperança de que possamos ver em nossos homens públicos pessoas de bem e com capacidade de conduzir nossa grande nação, guiando-se pelos valores éticos e morais que norteiam a imensa maioria cristã que habita nossa pátria. Mas não esqueça de usar a lupa da fé para escolher seus candidatos. Que o Senhor nos ilumine!

Vocacionados ao Amor

O mês de agosto nos convida a refletir e rezar o dom da vocação. Afinal, para que você nasceu? O que você está fazendo com sua vida? Qual sentido você tem dado a ela? Estas perguntas são o chão de onde nasce uma outra grande e fundamental pergunta que todos precisamos responder: qual a minha vocação?

No sentido cristão, a vocação está fundamentada na vontade de Deus, que tem um chamado pessoal para cada um de nós.  Vocação é o encontro de duas vontades: a de Deus e a minha. Há pessoas que pensam que a vontade de Deus é diferente de sua vontade. Na verdade, não! No fundo, são duas vontades que se abraçam. O problema é que muitas vezes, nos contentamos com vontades ilusórias e superficiais. Então, acabamos por escolher caminhos errados, que não são nem a vontade de Deus, nem a nossa verdadeira e profunda vontade.

A vocação está também ligada à missão. Todos nós, pela vocação que temos, somos chamados a cumprir uma missão específica. Uma missão é o que dá gosto, sabor e calor à vida. Uma pessoa que não cumpre a sua missão é, no fundo, uma pessoa infeliz. Isso, porque felicidade não é algo que eu sinto, ou algo só meu, mas algo que eu construo junto com os outros. Ninguém nasce para si. Nascemos para os outros. Nossa identidade é sempre conjugada em relação aos outros. E todos nós, ainda que de maneira diferente, temos uma missão a cumprir.

O dom da vocação, vocação que se faz missão, não é outra coisa, se não, o amor. Nascemos de Deus que é amor e que nos chama ao amor. Amor é a vocação da família. É a vocação do pai, da mãe… Amor é a vocação do padre, da religiosa, do leigo. Amor é também uma vocação profissional. Não é à toa que existem bons e maus profissionais. Com Santa Terezinha, podemos dizer firmemente: “minha vocação é o amor”. Contudo é preciso pedir o discernimento. Clarificar as vontades pessoais e entender a vontade amorosa de Deus, para saber como é nosso chamado ao amor. Isso é vocação. Isso é missão.  Embora de diferentes modos, todos somos vocacionados ao amor!

Pão para a vida do mundo

O pão é um alimento universal. Faz parte da cultura dos povos. Muda-se o jeito de fazer, a textura, a aparência, a durabilidade, o gosto, mas não a essência. Pão é pão em todo lugar. E, justamente por isso, por ser um alimento universal, se torna o símbolo do alimento por excelência.

O pão tem a sublime missão de nutrir e saciar a fome. Existe para alimentar e fazer viver. É a soma dos esforços de quem cultivou a terra, plantou, colheu, beneficiou e fez chegar a nós os ingredientes que lhe dão forma.

Se faz nas hábeis mãos que lhe dá a mistura certa, ao ponto da consistência necessária, para que, sob a temperatura ideal, possa ficar bem assado e, enfim, cumprir sua missão de alimentar.

Não por acaso, Jesus escolheu um pedaço de pão para permanecer entre nós. Ele é o pão verdadeiro, o Pão vivo que desceu do céu. (conf. Jo 6,51) E desceu, justamente para nutrir, saciar a fome, alimentar e fazer viver. Alimentar não só o corpo físico do homem, mas também seu espírito.

No Pão Consagrado, a Eucaristia, que celebramos solenemente a poucos dias, na Festa de Corpus Christi, Jesus se nos dá inteiramente a si próprio como alimento: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. 1Cor 11,24

Na missão de Cristo – ser “pão para vida do mundo” (conf. Jo 6,21b) – estamos incluídos também nós, seus seguidores. Na sua missão de alimentar está também a missão dos seus discípulos e de toda a Igreja. Nascemos para a doação. Nascemos para o outro. Nascemos para ser pão partido e repartido. Nascemos para alimentar e gerar a vida à semelhança de Cristo, o Pão Verdadeiro que veio dar vida ao homem.

Somos filhos da Páscoa

Vivemos o Tempo Pascal, onde a Igreja proclama alegremente a maior notícia de todos os tempos: Cristo está vivo, ressuscitou de verdade! Aleluia!!!

Mas para nós cristãos “o que significa o fato de Jesus ter ressuscitado?” – pergunta o Papa Francisco. “Significa que o amor de Deus é mais forte que a própria morte, que o amor de Deus pode transformar nossa vida, fazer florir aquelas parcelas de deserto que ainda existem em nosso coração.”

Eis a Páscoa; a grande festa do Amor: do amor de Deus que ressuscitou Jesus; do amor de Deus, que nos faz ressuscitados com Ele e por Ele.

Páscoa! Certeza de que a morte não teve a última palavra: Cristo a venceu! E a venceu por cada um de nós, que ainda caminhamos neste mundo contraditório e incerto, onde a aparente vitória do mal, por vezes nos dá medo e rouba a alegria de viver. Diante disso, é o Ressuscitado mesmo que nos diz: “Não tenhas medo. Eu sou o primeiro e o último, aquele que vive. Estive morto, mas agora estou vivo para sempre. Eu tenho a chave da morte e da região dos mortos” (Ap 2, 17-18).

Páscoa! Sim! Cristo vive! Vive em cada pessoa que busca a ressurreição em meio aos desalentos. Vive nos que lutam por justiça, nos sofredores, nos doentes, nos que dedicam sua vida pelo bem comum, nas testemunhas do Evangelho em meio à comunidade cristã. Cristo vive (ainda que aparentemente escondido) mesmo naqueles homens e mulheres que ainda não descobriram sua vocação de ressuscitados…

Na Páscoa de Jesus, celebramos também a nossa Páscoa. Em Cristo Ressuscitado ouvimos de novo o convite para uma vida nova. É para isso que existimos. Somos filhos da Páscoa!

Amor crucificado, amor sem limites

Em breve vamos celebrar a Semana Santa, onde reviveremos o mistério central de nossa fé: a Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. Nestes dias, somos especialmente convidados a voltar nossos olhos ao crucificado. Aí encontramos a maior expressão do amor de Deus por nós. A cruz, assumida até as últimas consequências, manifesta o amor sem limites, fiel, capaz de dar a própria vida. Afinal, “não há maior amor do que dar a vida pelos amigos”. (conf. Jo 15,13)

Mas às vezes podemos nos perguntar: será que Jesus precisava morrer na cruz pra nos salvar? A morte de Jesus foi uma exigência de Deus? Foi imposição de um Deus que exige sangue para aplacar sua cólera contra o homem pecador? Será, então, que Deus espera ou se alegra com os sofrimentos de seus filhos?

Não! Deus, que é amor, não pode não amar. Ele quer a nossa felicidade. Por isso nos enviou seu Filho. A morte de Jesus na cruz não era vontade de Pai. Ela foi consequência da vida de Jesus, de suas atitudes, pregação e profetismo; consequência de sua fidelidade ao projeto de salvação que os homens não acolheram. Não só não acolheram, como ainda condenaram Jesus à morte mais cruel, reservada aos maiores criminosos.

A cruz revela o amor de Deus e o desamor que habita o coração do homem. A cruz, o sofrimento, tem sua raiz no próprio homem. Mas mesmo do sofrimento e da cruz, Deus faz brotar a salvação da humanidade.  Para Ele, não há impossível, nada pode vencer seu amor.

Deveríamos ter o hábito de contemplar Jesus crucificado. O amor redentor de Cristo crucificado nos constrange. É amor demais. Não somos dignos dele. Que a contemplação do amor crucificado nos melhore. Nos faça mais humanos, mais fraternos. Mais semelhantes ao Cristo. Assim seja!

Vinde e Vede

Para muitos de nós, o início do ano civil é um tempo de férias, descanso, mais tempo para a família e lazer. Findo esse breve período, recuperadas as forças, novamente nos lançamos em nossa jornada.

Mas para viver bem a jornada da fé, para crescer na comunidade cristã, simplesmente descansar não nos impulsiona a nada. O nosso impulso para a vida em Deus vem de um encontro pessoal com o Senhor. O ser cristão, dizia Bento XVI, não começa por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, desta forma, um rumo decisivo à ela.

Vinde e vede! É o convite que Jesus fez aos que o queriam seguir. Não basta ouvir falar ou ler a respeito. Não basta um “seguir de longe”. É preciso encontrar-se com Jesus, conviver, viver em intimidade, fazer uma experiência dele.

Essa experiência, que nunca é acabada – ser cristão é um contínuo tornar-se cristão – e que, portanto, precisa ser cotidiana, nos reconecta com a verdade de Deus; nos insere no seu caminho e nos orienta para a vida.

Assim nossas desilusões em relação à comunidade e aos defeitos alheios serão melhor aceitos. Assim, teremos respostas quando os porquês da vida nos empurrarem para longe de Deus. Assim, a consciência de nossas falhas e perfeccionismo não nos deixarão insensíveis à misericórdia de Deus em nossas vidas. Assim, não viveremos no superficial de uma religião alienante, presa àquilo que não é essencial e que não nos pode configurar ao ser e agir de Jesus.

O que somos e o porquê somos – cristãos – deve residir nesta experiência profunda do “vinde e vede”: segui-lo de perto, conviver, fazer uma verdadeira experiência dele em nossas vidas. Como podemos nos dizer cristãos se não estamos ligados à ele?

Que nossa caminhada de fé nos ajude a vivermos em profundidade esse encontro com o Senhor!